"Eles fugiram das regras para serem livres."
"Só entenderam o que era a liberdade quando perderam tudo."
"Eles fugiram das regras para serem livres."
"Só entenderam o que era a liberdade quando perderam tudo."
E se… cinco jovens roubassem a eternidade de um vilarejo inteiro, achando que estavam concedendo a liberdade — e só entendessem o que fizeram quando olharam nos olhos de quem perdeu para sempre o que eles desprezavam.
Seja bem-vindo ao Vilarejo de EALAM. Um lugar de vida simples com aparência medieval, e que possui como seus moradores pessoas simples… que não envelhecem.
Vou colocar aqui um pequeno trecho desse universo que está sendo criado. Espero que ele te contagie assim como me contagiou.
Boa leitura!
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copyright © 2026 R. Peroma
Capítulo 01 – Harpia
— ...corre! Anda logo!
— Tô indo o mais rápido que posso! — diz Mia quase sem folego.
— Ela está descendo! Rápido! — diz a jovem Kora, enquanto corre entres as árvores da densa mata, procurando se desviar dos galhos que surgem à sua frente, como se fossem mãos estendias com longos dedos, sendo seguida pela sua amiga Mia.
— KORA! — grita Gustavo, aparecendo entre os galhos com olhos arregalados como se fosse um Lêmure sendo caçado, ofegante e também correndo.
— VOCÊ TROUXE ? — pergunta Kora sem parar de correr, sendo a mais rápida do grupo por ter um corpo magro, vendo em seguida Gustavo levantar uma das mãos com um rolo de corda.
— Me espera! — grita Mia, que repentinamente parou para soltar os seus escuros cabelos cacheados que se prenderam em alguns galhos, quase sendo jogada ao chão por eles, sendo ouvida, mas não atendida.
— Cadê a Jenefer e o Joa?
— Já estão lá. — diz Gustavo se aproximando de Kora, ainda correndo, entregando para ela a corda que carrega.
— E o pessoal?
— Não está vindo ninguém do Vilarejo ainda! — diz Gustavo, já parando de correr e respirando fundo por três vezes, enquanto apoia as mãos sobre o seu joelho.
— Então vai ser hoje! — diz a jovem de pele morena clara, e de cabelos pretos curtos, que também parou de correr, mas sem ofegar.
— Não estou vendo ela! — disse Kora parada enquanto olha para o céu com olhos castanhos arregalados.
— Ali, fazendo a volta! — disse Gustavo apontando o dedo para o alto, no lugar onde um imenso pássaro de penas brancas aveludadas está planando, com os seus quase dez metros de comprimento, do seu bico amarelo até a ponta de sua cauda branca, e vinte metros de envergadura, de ponta a ponta das asas abertas, carregando uma enorme cesta de vime.
— Vai dá! Vai dá! — diz Kora, encurvando o corpo para frente e começando a caminhar furtivamente em direção de uma clareira, em companhia de Gustavo e de Mia, que conseguiu alcançá-los.
— O Joa e a Querida estão ali. — diz Mia parcialmente escondida atrás de uma árvore, enquanto aponta com o dedo para Joaquim e Jenefer, também chamada de Querida, que estão do outro lado da clareira, que é grande o suficiente para comportar, bem separados, quatro grandes monólitos retangulares de pedra cinza.
— Em qual delas você vai subir?
— Espera! — diz Kora fazendo um gesto de mão para Gustavo, vendo em seguida o grande pássaro se aproximar do centro da clareira, deixando a enorme cesta vime cheia de pães.
— Vai Joa! Vai! — sussurra Kora de joelhos no chão atrás de um arbusto, olhando com olhos de expectativa para o seu jovem amigo.
— Croac croac cuá! — grasnou o grande pássaro assim que pousou ao lado da enorme cesta de vime.
— Oi Harpia! — diz Joaquim no tom mais amistoso que consegue, enquanto balança sutilmente um enorme galho com cerejas vermelhas e suculentas na direção do grande pássaro.
— Croac croac cuá! Croac croac cuá! Croac croac cuá! — agita-se de um lado para o outro a ave Harpia gigante.
— Calma! Calma! A gente só trouxe isso pra você!
— Você gosta, não gosta? — continua dizendo Joaquim, enquanto anda como se estivesse pisando em ovos, balançando sutilmente o galho que tem enormes cerejas, como se fosse uma oferta.
— Ali! Aquele Monólito! — sussurra Kora, chamando Gustavo e se esgueirando em seguida na direção de uma das pedras gigantes.
— Isso! Chega perto! Pode pegar! Você gosta, não gosta? — diz Joaquim, ainda com os seus passos de câmera lenta, enquanto a Harpia inclina a cabeça de um a lado para o outro demonstrando interesse.
— Ai, meu Deus! — diz Jenefer na borda do bosque, segurando também um galho com cerejas que está apontado para o chão, enquanto observa o seu amigo, e se espreme toda como se estivesse com medo.
— Me ajuda! — sussurra Kora para Gustavo atrás de um monólito, fazendo o seu amigo se posicionar atrás dele para servir de escada.
— Ai! — reclama Gustavo, ao ser pisado nas costas.
— Psiu! — sussurra Kora, com um dedo na boca enquanto escala as costas de seu amigo, que a ajuda a subir no monólito que está mais próximo do grande pássaro.
— Gostoso não é? — diz Joaquim sorrindo, enquanto a Harpia dá a sua primeira bicada no galho que o jovem segura, sem perceber que em suas costas também tem uma jovem magra de cabelos pretos, curtos, e uma pele morena clara, em cima de um monólito arqueando o seu corpo para um salto.
— Croac croac cuá! Croac croac cuá! Croac croac cuá! — agita-se de um lado para o outro a Harpia, assim que sente um laço de corda envolver o seu pescoço e um corpo humano cair em cima de suas costas.
— Aííí! Ela conseguiu! Ela conseguiu! — grita Gustavo saindo de trás do monólito, ao mesmo tempo que pula e dá socos no ar.
— Vai Koraaaaa! — grita Jenefer na borda da clareira, largando o galho que segurava, ao mesmo tempo que vê o grande pássaro se agitar, bater asas, e começar a voar.
— Croac croac cuááááááá! — grasnou o pássaro que começa a levantar voo com uma jovem deitada e agarrada em suas costas, que possui olhos arregalados e um sorriso vitorioso, enquanto segura uma corda que envolve o pescoço do pássaro gigante.
— Vai Kora! Vai lá buscaaarrrrrrr! — grita Mia, com as duas mãos em volta de sua boca para aumentar o seu grito, vendo a sua jovem amiga subir acima das copas das árvores.
— Croac croac cuáááááá!
— Essa não! — diz Joaquim mexendo em seus óculos, que estão sobre olhos arregalados vendo a sua amiga cair do pássaro.
— Croac croac cuáááááá! — grasnou a Harpia, sumindo sozinha entre as montanhas com uma corda balançando em seu pescoço, indo em direção da Fornalha.
CENAS PÓS-CRÉDITO
— Meu Deus, ela morreu! — diz Jenefer petrificada na borda da clareira, com uma película de água se formando em seus olhos.
— Calma! Sem conclusões preciptadas! Ela caiu na direção do lago, vamos lá ver! — diz Joaquim chamando Mia e Gustavo com a mão.
...
— Ela tava muito alta. — diz Gustavo andando com passos acelerados ao lado de Mia, Querida e Joaquim.
— Espera! Vocês ouviram! — diz Joaquim fazendo um sinal de pare com a mão.
♫ — No passado, era tudo escuridão;
♫ — A morte nos cercava sem direção;
♫ — Eram noites frias sem amanhecer;
♫ — Hoje renascemos para viver.
— É o pessoal do Vilarejo. — diz Mia com olhos arregalados.
— É melhor que eles não saibam que estivemos no Bosque, se souberem o que tentamos fazer... — diz Gustavo fazendo uma careta — quando o assunto é o Pão, os moradores de EALAM deixam a sua calma de lado.
— Vamos esperar que passem. — diz Joaquim, se abaixando atrás de arbustos enquanto faz sinal com a mão para os seus amigos fazerem o mesmo.
♫ — Não morremos mais, agora somos luz;
♫ — De um tempo de sombra, vida que reluz;
♫ — O passado se foi, deixamos para trás;
♫ — Hoje é nosso dia, não morremos mais.
♫ — Ventava forte, o medo nos guiou;
♫ — Correndo no vazio, o coração parou.
♫ — Mas hoje há cor, e calor no peito;
♫ — Uma chama viva, o amor é o jeito.
♫ — Não morremos mais, agora somos luz;
♫ — De um tempo de sombra, vida que reluz;
♫ — O passado se foi, deixamos para trás;
♫ — Hoje é nosso dia, não morremos mais.
— Já foram. — diz Mia com os olhos entre as folhas do arbusto.
— Vamos! — diz Joaquim acelerando o passo.
...
— Vocês procurem daquele lado, tanto na água com nas árvores e nos arbustos, eu vou com a Querida por aqui! — diz Joaquim, recebendo confirmação através de um aceno de cabeça de Gustavo e Mia.
“ NA VIDA REAL “
Nesse primeiro capítulo conhecemos alguns jovens que tentam capturar um pássaro gigante de nome Harpia.
Na vida real existe uma ave predominante da floresta amazônica chamada de gavião-real, ou harpia.
Esse pássaro é a maior e mais poderosa ave de rapina de ambientes florestais, e uma das maiores no mundo, e chegam a pesar até 10 kg, com uma envergadura de até 2,24 metros.
Elas são especialistas em voo acrobático entre árvores, e as maiores chegam a caçar macacos para se alimentar.
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