Degustação
Uma Vida - Três Corações
“Quando o amor de três pessoas significa
seguir apenas um caminho. ”
Uma Vida - Três Corações
“Quando o amor de três pessoas significa
seguir apenas um caminho. ”
Este é o capítulo V.
Os personagens chegaram até aqui usando máscaras.
O que acontece a seguir começa a tirá-las.
Lugar Mágico?
— Ah, vai, confessa Larsson, eu vi a careta da Mallet quando você pisou no pé dela. — diz John rindo, enquanto as realezas de Gabriel saem do Royal Eagle em direção ao carro.
— Espera aí! Você tem que me dar um desconto, Nash, você tem ideia de quanto tempo faz que eu não danço? E ainda com uma meia dúzia de Fadas Verdes na cabeça. — diz Hilmar rindo, com as mangas da camisa dobradas e puxadas para cima.
— Mas mesmo com todo aquele Burbom eu não dei vexame, não pisei nenhuma vez no pé dela, pisei Mallet? — pergunta John, segurando com a ponta dos dedos a sua blusa, que está jogada em suas costas.
— Dançando comigo não, mas aquele whisky, ou seja lá como você chama aquilo, que você derramou na garçonete foi um belo de um papelão. — diz Agatha rindo, ainda que isso fosse mágico.
— Foi só um pouquinho.
— Só um pouquinho, Nash? Você está de brincadeira, a pobre da moça teve até que trocar de uniforme, a Mallet tem razão, foi um papelão.
— Pelo que vejo, o Royal Eagle é uma águia que continua voando alto. — diz Gabriel, abrindo a porta traseira da limusine, com o seu habitual sorriso, um verdadeiro Sol na madrugada.
— Meu Gordinho favorito, você é o cara! — diz John, abraçando Gabriel, para em seguida se jogar para dentro do carro.
— Te devemos essa Gabriel, você pode contar comigo, você entendeu, pode contar comigo. — diz Hilmar, cutucando Gabriel com a ponta do dedo, entrando no carro logo em seguida.
— A gente precisava disso. — disse Agatha, dando um beijo no rosto de Gabriel logo em seguida, para também entrar no carro.
— Gordinho, a gente tá um pouquinho alto, mas fica tranquilo, ninguém vai bagunçar o seu carrão não, ele vai ficar limpinho. — diz John, já com o carro em movimento.
— Pouquinho? Vejo que nós temos uma definição diferente sobre o que é pouquinho, — diz Agatha, encostando a cabeça na janela da limusine — a gente exagerou, é por isso que estamos assim, desse jeito, até nos dando bem estamos!
— Eu prefiro pensar que o lugar é mágico, como tudo na minha Suíça. — diz Hilmar Larsson, também encostando a cabeça no vidro do carro.
— Perdoe discordar, senhor Hilmar — começou a falar Gabriel com um semblante feliz — a Eagle realmente é um lugar fantástico, mas a magia não está nela…
— Está na bebida! — diz John com o braço levantado, interrompendo Gabriel.
— A bebida pode ter sido o gatilho, senhor John, ou o catalisador, mas a magia, o encanto de se sentir vivo, livre e feliz, isso não está na águia e nem na bebida, isso estava dentro de vocês, aprisionada pelos medos, aprisionada pela inevitável pressão de se alcançar o mais rudimentar dos desejos humanos… o da sobrevivência.
— Mas basta um momento, basta uma oportunidade, e o ser humano deixa exalar aquilo que ele realmente é, aquilo que ele realmente deseja de coração e alma.
— No caso do Hilmar, é aprender a dançar. — diz John, apontando o dedo para o suíço, ao mesmo tempo que o chama pela primeira vez de: Hilmar.
— E a do John, a de se comportar um pouquinho como um cavalheiro. — diz Hilmar, fazendo a mesma coisa que o americano.
— Não, minhas realezas, não me refiro a questões de superfície como essas. — diz Gabriel, olhando pelo espelho retrovisor enquanto dirige — A senhorita Agatha arrisca um palpite também?
— Acredito que você está querendo nos dizer que… exalamos o amor, — diz Agatha enquanto seus pares passam a olhar fixamente para ela, com os olhos bem abertos — amor por nós mesmos, amor pelos nossos amigos.
— Amigos? — diz John, se ajeitando.
— Vocês são os meus “próximos”, não são? — responde Agatha, com um olhar aveludado e macio para todos na limusine.
— O amor tem mais poder do que as poesias e as canções humanas conseguem expressar. — diz Gabriel, olhando sorridentemente para a estrada, que possui um horizonte escuro, mas que lentamente vai sendo iluminada pela luz que vem daqueles que viajavam juntos… na escuridão.
Que lugar é este ?
— Minhas realezas, eu não vou pegar a rua principal que dá direto na porta da frente da mansão — diz Gabriel com o carro parado, aguardando a abertura total do enorme portão de grades, com as ostentosas iniciais W&G — vou pela rua lateral da esquerda que circunda todo o terreno.
— Não vou chegar perto com a limusine para não chamar a atenção das espiãs do doutor Meier, infelizmente minhas realezas, vocês precisarão andar uns trezentos metros para chegar na porta de serviço que fica atrás da mansão.
— Sem problemas. — responderam os três juntos, jogados no banco de trás.
...após alguns minutos, andando pelo jardim de grama macia.
— Não dá para andar nessa grama macia com o meu sapato. — diz Agatha, fazendo careta, enquanto tenta fazer o número quatro com as pernas para tirar o sapato de salto alto.
— Deixa que eu te ajudo, Agatha. — disse John, se aproximando de Agatha, ao mesmo tempo que ela lhe envia um largo sorriso.
— O que foi? Por que está sorrindo assim? Não que eu não goste — diz John, segurando Agatha, que também se apoia nele para continuar a sua batalha com o sapato — muito pelo contrário, ele é lindo e… principalmente raro… por isso estou surpreso.
— Não foi nada, hora essa, é que… essa foi a primeira vez que você me chamou de Agatha. — diz ela ainda sorrindo e lutando com o sapato.
— É… eu sei! — disse John com um leve sorriso e com um brilhante e penetrante olhar de fotógrafo, o mesmo que se usa para observar um momento mágico na natureza.
— Ah, eu vou cair! Me segura firme, John! — diz Agatha, perdendo o equilíbrio.
— Sempre, Agatha! — disse John, abraçando-a, enquanto os sorrisos somem diante da paralisia dos olhares.
— Deixa eu ajudar também a nossa dama dos sapatos. — diz Hilmar, se aproximando e segurando Agatha pelo outro lado.
— Ai, ai, ai, a grama está pinicando meus pés. — disse Agatha como se estivesse andando em brasas quentes.
— Se desejar, posso carregá-la em meus braços, formosa dama. — disse Hilmar, fazendo um gesto de referência com os braços.
— Não precisa Hilmar, mas eu também não vou ficar mais aqui. — disse Agatha, saindo correndo em seguida.
— Agatha, espere! Mas aonde ela vai? — pergunta Hilmar para John, que está ao seu lado, enquanto Agatha corre com os sapatos nas mãos e com os cabelos soltos ao vento, acompanhada de um largo sorriso de criança, há muito tempo esquecido.
— Agatha! Espera! Não é pra esse lado! — diz John, ainda ao lado de Hilmar, enquanto ambos se olham e sorriem, para em seguida sair correndo atrás da moleca brasileira, que repentinamente surgiu.
...após poucos minutos, na escuridão, depois das árvores do jardim.
— Agatha, onde você está? AGATHA? Mas para onde ela foi, Hilmar?
— Não sei, depois que ela entrou nessas árvores eu a perdi. Olha! Não é ela entrando naquela edícula? — diz Hilmar, apontando com o braço na direção de uma pequena e escura construção no formato hexagonal, com telhas de barro que se estendem por uma varanda que circunda todo o seu redor.
— Mas que lugar é aquele? — pergunta John, tentando ver Agatha e a construção entre as árvores.
— Venha John, vamos até lá! Agatha!
...após poucos minutos, em frente da construção.
— Onde ela está? Não estou vendo ela!
— Acredito que entrou, olha a porta, está entreaberta, venha, vamos dar uma olhada.
— Agatha? — diz Hilmar, já na porta de entrada com a lanterna do celular ligada.
— Venham ver esse lugar, rapazes! — diz Agatha, andando lentamente na escuridão, dentro da construção hexagonal.
— Parece que está abandonado, olha quanta poeira. — diz Hilmar, mexendo em um pano que encobre uma mesa.
— Parece um estúdio, tem quadros empilhados aqui neste canto debaixo deste lençol. — diz John, levantando a beirada de um lençol.
— Eu não sabia que o senhor Green pintava. — disse Hilmar, olhando um quadro de bosque, que está sobre um cavalete.
— Por que você acredita que foi ele que pintou esses quadros? — pergunta John, andando lentamente pelo local.
— Até agora, todos os quadros que vi têm as iniciais W&G. — responde Hilmar, passando suavemente o dedo sobre as iniciais W&G, e que estão pintadas no canto inferior direito do quadro do bosque.
— Isso aqui não é um estúdio. — disse Agatha do outro lado da sala.
— Como assim, não é um estúdio? Para mim, parece muito com um? — pergunta Hilmar, apontando a luz do celular na direção dela.
— Isso aqui é um santuário, Hilmar! E ele era da senhora Green. — responde Agatha, olhando na direção da luz do celular de Hilmar.
— Santuário! Como assim? E, por que você acredita que era da senhora Green? Até agora eu só vi a marca W&G do nosso anfitrião, assim como em tudo na mansão também. — disse John, olhando lentamente ao seu redor.
— Não John, esse lugar aqui era dela, e era o seu santuário, o seu lugar secreto, a sua cápsula que a transportava para fora deste mundo, para fora de tudo isso que vivemos.
— Eu posso sentir a suavidade e… ao mesmo tempo, a profundidade, e a convicção que somente uma mulher consegue alcançar — diz Agatha deslizando suavemente os seus dedos sobre uma tela grande, que está sobre um cavalete, e de costas para John e Hilmar. — era ela que pintava esses quadros.
— Se era ela que pintava, então, por que só existe a marca do senhor Willian Green? — pergunta John, andando lentamente na direção de Agatha.
— Espera um pouco pessoal, alguém sabe qual era o nome da senhora Green? — pergunta Hilmar, fazendo com que Agatha e John olhassem para ele, no entanto, sem dizer uma palavra.
— Eu sei como descobrir isso fácil. — disse Hilmar ao mesmo tempo que começa a acessar o seu celular, pronunciando em alta voz: — Nome esposa falecida milionário inglês William Green.
— Agatha tem razão, John. — disse Hilmar, levantando o seu olhar em direção ao americano, que já havia se aproximado de Agatha.
— W&G não é William Green, W&G é William e Guinever. — disse Hilmar, levantando a tela de seu celular para eles.
— Isso ainda não prova que era ela que pintava.
— Mas isso sim, John. — disse Agatha, apontando para a grande tela que está sobre o cavalete e que não possui mais um lençol encobrindo.
— Nossa! Ela era linda. — diz John, já ao lado de Agatha, olhando para a tela que possue uma pintura semiacabada de um busto de mulher.
— Era ela? — diz Hilmar, se aproximando por trás de Agatha e John, que estão iguais a um visitante em uma galeria de arte, apreciando a obra de um famoso pintor.
— A minha última obra, ao meu amigo, minha paixão, o meu amado esposo. Ass.: W&G. — diz Agatha em alta voz, enquanto lê a dedicatória escrita com pincel, no canto inferior esquerdo, daquele quadro que possuí apenas dois terços da sua tela pintada, mas que é o suficiente para apresentar o busto de uma mulher branca de quarenta anos, com cabelos castanhos escuros, lisos e que desce sobre a sua blusa vermelha, até a altura do seu seio direito, com um sorriso harmonioso, igual ao de uma melodia suave executada por violoncelos, que encanta e transfigura a sua fisionomia para angelical.
— Precisamos sair daqui! — diz Agatha com uma repentina agitação — eu não devia ter entrado!
— Calma Agatha, o lugar está abandonado, não tem ninguém aqui, fica calma. — diz John.
— Você não está entendendo! Isso aqui é mais do que um estúdio pra ela, e nós estamos invadindo, nós estamos… profanando. — diz Agatha, mexendo rapidamente os seus braços, visivelmente agitada e angustiada.
— Você está exagerando, eu também tenho o meu estúdio de fotografia em Nova York, e que também é sobre arte, mas ele não é uma coisa assim… toda romantizada, ou mística… sei lá. — disse John, torcendo sutilmente a boca como um ato inconsciente de desprezo.
— É diferente, John. — disse Agatha, contrariada.
— Ambos os estúdios são de arte, — disse John com os olhos bem abertos, dando um passo em direção a Agatha. — então não vejo onde está a diferença!
— Ela amava, John! — disse Agatha, olhando para o americano, que no mesmo momento deu dois passos para trás, como se uma mão gigante feita de ar o tivesse empurrado, e o silenciado.
— Agatha tem razão, John, independentemente de qual seja o sentimento sobre este lugar, não temos o direito de invadir e estar aqui — começa a dizer Hilmar, enquanto John desvia o seu olhar de Agatha. — precisamos respeitar a propriedade e, principalmente, os sentimentos do senhor William e da senhora Guinever, e como Agatha disse, não devemos profanar.
— Invasão, sem dúvida! — diz William Green na porta do Ateliê. — Mas eu não diria profanação, afinal este termo é usado quando não se respeita um lugar sagrado, e Guinever não está aqui entre essas paredes… ainda que elas me tragam muitas memórias.
— E mesmo que vocês tentassem, não conseguiriam profanar o lugar dela, porque ele é o meu coração.
— Senhor Green, me desculpe, não tive a intenção…
— Tudo bem, senhorita Agatha, não precisa me pedir desculpas. — diz William Green para ela com uma ternura indescritível, enquanto aciona o interruptor, acendendo as luzes do Ateliê.
— Esse era o Ateliê da sua esposa, da senhora Guinever? — pergunta Hilmar.
— Sim, senhor Larsson, era aqui que ela se encantava, e encantava a outros… principalmente eu.
— Esse lugar me traz muitas lembranças, cada pedacinho dele tem um pouco dela. — diz William Green, enquanto desliza suavemente a sua mão pelas paredes e móveis empoeirados. — Mas, estranhamente, desde a sua morte eu nunca mais entrei aqui… não consegui.
— Eu até tentei algumas vezes, mas nunca cheguei a menos de dez metros da porta.
— O senhor acredita que foi por causa da presença dela em cada pedacinho deste lugar? — pergunta Agatha, com um olhar inocente igual ao de uma criança.
— Talvez eu não tenha me expressado de forma precisa, senhorita Martins.
— O que eu disse foi no sentido de lembranças, imagens e principalmente sentimentos que sobem para a superfície.
— É quase como se eu pudesse vê-la ali, sentada em sua banqueta, segurando o seu pincel, vestida com o seu avental salpicado das mais diversas cores.
— Mas que em nenhum momento conseguiam ter o brilho, ou até mesmo a cor do seu sorriso, que era gratuitamente lançado para mim aqui, parado nesta porta.
— Um santuário. — diz Agatha, olhando para cima e para os lados.
— Não, senhorita Martins, um Ateliê — diz Green com um leve sorriso e um semblante gentil. — apesar de todas essas memórias, sentimentos, lembranças e emoções, esse lugar é um estúdio, um Ateliê.
— Um santuário, senhorita Martins — continua dizendo Green, enquanto se aproxima lentamente de Agatha com olhos brilhantes. — é um lugar onde guardamos os nossos maiores tesouros, as riquezas mais preciosas que temos, e por isso chegamos a lhe atribuir o adjetivo de imaculado, santo, precioso.
— E para a minha Guinever eu reservei o lugar mais imaculado e santo que um ser humano pode ter.
— Eu reservei para ela o meu coração, é neste santuário que ela esteve, está, e sempre estará — diz Green, a um braço de distância de Agatha, enquanto ela limpa uma lágrima que inadvertidamente começa a descer em seu rosto.
— E não há melhor santuário do que este, senhorita Martins, e por isso não há espaço para muitas coisas, mas somente para aquilo que lhe é extremamente valioso e raro.
— O senhor acabou de nos dizer que não precisamos pedir desculpas — diz Hilmar, se aproximando do senhor Green e de Agatha, que olha para o seu anfitrião com olhos arregalados, igual ao de um aprendiz para o seu professor. — mas o que fizemos aqui foi errado, senhor Green.
— Nós entramos em lugar particular e de grande importância para o senhor, e isso sem lhe consultar.
— Nós invadimos a sua privacidade. — diz John, complementando o que Hilmar acaba de dizer.
— Confesso a vocês três que, quando vi da minha janela do meu quarto uma pequena luz passeando aqui dentro, o primeiro sentimento foi de indignação, e até posso dizer: de raiva.
— Mas então, eu percebi uma coisa, como um relampejo de claridade em meus pensamentos e sentimentos.
— Depois que Guinever partiu, eu demorei um pouco para voltar aqui, na verdade, eu só voltei depois que Gabriel, igual a um anjo, me mostrou o esboço do projeto 1V&3C que ele havia montado com o doutor Meier.
— Quando ele fez isso e me lembrou de algumas conversas da Guinever sobre o verdadeiro amor, aquele em que você está disposto a dar tudo que você tem pelo outro, eu me levantei.
— Saí do meu poço, da minha masmorra, apoiado pelas mãos e ombros do Gabriel.
— Mas como eu disse, eu não conseguia entrar mais aqui, ao invés disso eu ficava acordado madrugada adentro, sempre olhando da minha janela para o Ateliê.
— Essa minha rotina noturna, que era quase como um ritual, simplesmente parou, sem esforço ou algum ato de disciplina da minha parte.
— As madrugadas voltaram ao seu devido lugar, ao do descanso, no mesmo instante em que Gabriel e o doutor Meier me contaram sobre vocês três.
— A Guinever sempre me dizia que não podemos prever ou entender todos os mistérios da vida, mas o importante, ela ainda continuava dizendo, é que isso não deve nos impedir de girar e dançar nos campos, acompanhando as correntes de ar enquanto olhamos para o alto, para as nuvens em suas formas desarmônicas, que possuem a sua própria beleza.
— Depois de muito tempo, hoje eu voltei a não conseguir dormir, eu voltei como a um instinto primitivo a ficar na janela do meu quarto, olhando para o Ateliê, preso como um ímã ao metal, até que vi a luz bailando aqui dentro. — continua dizendo Green sobre os atentos olhares dos 1V&3C.
— Então resolvi vir até aqui, mas já despojado da minha indignação e raiva.
— Quando me aproximei da fronteira dos dez metros, eu parei e respirei fundo para poder falar com a minha amada, que está no santuário mais nobre e precioso.
— Igual a um fardo que é tirado de cima de seus ombros, eu disse a ela: — Hora de ver a sua beleza novamente, minha amada.
— Então entrei. — diz William Green, enquanto Agatha limpa algumas lágrimas que lhe acariciam a face, assim como também seus pares.
— Julgamentos precipitados, senhor Larsson, são um dos piores erros que podemos cometer, mas graças a Deus hoje eu não cometi, e por isso eu estou aqui, podendo ver a sua beleza novamente. — diz William, já em frente do quadro semiacabado de Guinever Green.
— Senhor Green, quando o senhor diz que está vendo novamente a beleza de sua esposa, o senhor está querendo dizer que… — pergunta John, se aproximando do senhor Green.
— Eu não tenho nenhum quadro ou foto dela, senhor Nash, tudo foi trazido para cá, era doloroso demais, e a minha psicóloga também recomendou.
— Mas hoje, olhando para ela — diz Green, acariciando com as pontas dos dedos o quadro semiacabado do busto de Guinever — a dor foi substituída por… alento… paz… amor.
— Oh, minha Guinever, eu nem consigo dizer como eu ainda te amo. — diz William Green, se juntando ao ritual de lágrimas dos 1v&3C.
CENAS PÓS-CRÉDITO
Eu, o John e o Hilmar, ainda ficamos no Ateliê apreciando a arte da senhora Guinever por pelo menos mais uma hora com o nosso gentil anfitrião.
Ele a todo momento voltava para o quadro do busto semiacabado dela, era praticamente como um ímã.
Depois voltamos para os nossos quartos, e quando entramos na mansão, as duas enfermeiras, ou espiãs como o Gabriel gosta de chamá-las, estavam de prontidão ao lado de uma armadura medieval, no meio da escada do saguão principal que leva ao andar superior.
Mas assim que o senhor Green as viu, logo as advertiu.
...
— Se o doutor Meier souber dessa noite, nunca mais vocês entram nessa mansão.
...
Posso dizer que isso foi muito cavalheiro da parte dele, mas não passou de uma boa tentativa, porque no dia seguinte, no período da tarde, o próprio Meier esteve aqui na mansão, e sem aviso prévio, e levamos a maior bronca dele.
Eu não sei se foram as broncas do Meier ou a ressaca, o que eu sei é que a magia parece ter sumido repentinamente, da mesma forma que surgiu na noite anterior.
De forma espontânea e sem nenhum aviso prévio, nós três voltamos a nos chamar pelos sobrenomes.
Pode até parecer bobo isso, mas é que me deu a sensação de que tudo havia esfriado e voltado a ser como antes.
O que é uma pena, porque eu juro que naquele momento, tanto no jardim como dentro do Ateliê… eu confiei.
continua…
.