Ficção Especulativa
.
.
Ficção Especulativa
.
.
Por que escrevo Ficção Especulativa?
Escrevo F.E. porque ela me permite colocar em textos as minhas inquietações. É através dela que falo de pessoas que não se encaixam no mundo… como ele é!
Em todos os seis livros, sem exceção, o protagonista é alguém que o mundo tentou dobrar — e não conseguiu completamente.
Maicol, diagnosticado com esquizofrenia, cuja a "loucura" era o único elo com a verdade — Luna, invisibilizada pelo vitiligo, pela pobreza, pela família… nunca desistiu. — Anna, Sofia, Junior, Aron, Minato: cada um carregando uma perda que o mundo ignorou… mas não deixaram de sonhar. — Agatha, John e Hilmar, três pessoas que o mundo ensinou a não amar direito… mas que foram encontrado por ele.
E é através desses personagens que realizo a importante pergunta:
“Quem nós escolhemos ser quando o mundo tenta decidir por nós?”
A Ficção Especulativa me serve porque ela me permite falar de dores reais. As minhas histórias podem ter uma invasão alienígena, uma dimensão paralela, um mundo coberto de água ou um castelo na Suíça — mas é através delas que posso falar: de luto, de identidade, de família que falha, de sistemas que controlam, de amor que machuca.
Ainda que os cenários sejam como a de uma invasão alienígena, dimensões paralelas, mundos oceânicos, experimentos científicos extremos, no fundo o que eles mostram são as identidades das pessoas, as suas liberdades… e as suas escolhas.
Os protagonistas das minhas histórias de Ficção Especulativa espelham situações em que instituições, sistemas, culturas, que prometiam salvá-los… acabaram oprimindo-os. Fazendo com que isso ressoe em mim — e espero que no leitor também — a pergunta:
"Podemos continuar aceitando isso em nossa vida"?
"O que significa ser livre"?
AQUAE pergunta isso com guerra e mitologia — D.O. pergunta com ciência e identidade — 1V&3C pergunta com amor e morte — A Trilogia UNIVERSO pergunta com o fim da humanidade.
É a mesma pergunta. Em seis livros de gêneros diferentes.
Escrevo Ficção Especulativa porque existiram, e existem, momentos na minha vida em que eu também me sinto como esses personagens. Alguém que não cabe no mundo como ele é. Que foi ignorado, ou incompreendido, que carrega algo que não pode mostrar. E a Ficção Especulativa é o lugar onde posso perguntar, em voz alta e disfarçada:
"E se eu pudesse mudar isso"? "E se valesse a pena lutar"?
Maicol não deveria estar vivo, mas está. Os protagonistas de AQUAE se recusam a aceitar o destino do mundo em que vivem. Luna escolhe a liberdade mesmo quando o custo é a própria vida. Agatha, John e Hilmar aprendem que amar é dar sem pedir nada em troca.
São todas pessoas imperfeitas tentando se reconstruir.
Não escrevo para escapar da realidade. Escrevo porque acredito na ideia de que existe algo maior do que o sistema, maior do que o poder, maior do que a morte — e que vale a pena lutar por isso, mesmo com muita dor no processo.
Acredito que o ser humano tem uma verdade íntima, e escondida, que nenhuma guerra, nenhuma dimensão, nenhum império consegue apagar. Que o sacrifício pode ser vivido.
Porque o fim… não é o fim.
Crio universos complexos, mas não com o objetivo de explorar esses mundos. Mas sim de testar a alma humana dentro deles, porque os heróis das minhas histórias não nascem heroicos. Eles nascem feridos.
A Ficção Especulativa, não é o lugar onde apenas traduzo as minhas imaginações, as minhas dores ou faço perguntas sobre liberdade. É o lugar onde testemunho a minha fé — sem precisar pregar, sem personagens convertidos, sem moral explícita. A fé está na estrutura das histórias: na convicção de que resistir vale a pena, de que o amor transforma, de que mesmo no fim de tudo, algo novo nasce.
"Nem toda vitória liberta. Mas todo fim gera algo novo."
Não escrevi isso por acaso.